Por Sendas, Montes e Vales
Vinte Cinco anos de Brigada, Vinte Cinco de caminhada
caminhos de caminhar,
por sendas, montes e vales
já que vale o que valer
os que cantando caminham.
Foram seus pés que voaram
em terreiros e sobrados e oceanos lavrados
como se terras de trigo,
pés que rasgam noite
(seus calores e temores)
pés que rasgaram cantigas
e sortes de raparigas
como gaios ou perdizes
à sombra velha do robles
(coisa de aves e de espigas).
Cantos idos de idos tempos -
- também canções que são gente
com passado e com presente,
continente de um futuro
que figura e desfigura
o que cala e o que consente.
Tristeza das alegrias de feiras e romarias,
os amores e desamores
de que se fazem os dias.
Falam violas brejeiras, as meninas concertinas,
mesmo a rabeca chuleira, os pífaros e as gaitinhas
que a têm por companheira.
Gritam primas e bordões
consolo da noite aberta,
consolo de corações,
neste chão de Portugal - Um Portugal Português -
feito de lama e de sal, de amarguras e tesuras
de um destino vagabundo
que já não cabe no mundo.
Louzã Henriques
Candal, Abril 2000